Terça-feira, 22 de Maio de 2007

A POESIA DE JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA

 
                                                              Faz hoje um ano que José Agostinho Baptista venceu o Grande Prémio de Poesia da APE, com a obra "Esta voz é quase o vento"...
 
 
 
Deste Lado Onde


faz-se tarde
e eu deixei de esperar-te.

todos os portos se fecham sobre mim
e a floresta adensa-se.

nenhuma clareira se abre à passagem dos
animais e do homem antigo.

são 4 horas na manhã de todos os relógios
 
 

O  VERÃO

Estás no verão,
num fio de repousada água, nos espelhos perdidos sobre
a duna.
Estás em mim,
nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome
pensas:
teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó,
sepultada rosa do desejo, um homem entre as mágoas.
És o esplendor do dia,
os metais incandescentes de cada dia.
Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces
o ardor das maçãs,
as claras noções do pecado.
Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos
meus anos.
Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os
rituais que previ.
Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras estão em
ti e inclinam-se.
Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima.
Doce e cruel é setembro.
Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.


Diz de si José Agostinho Baptista:
 
"Se às vezes, se em certos casos, a poesia imita a vida e a vida imita a poesia, então talvez cada verso seja uma linha da cabeça, uma linha do coração, uma linha da vida. E então, sonâmbula e feroz, a mão que escreve talvez não faça mais do que construir, palavra sobre palavra, a casa de um homem, a sua história. E a sua voz obscura passará sobre a terra, sobre os anos, completando a obra."
 
Diz António Ramos ROSA..

"A poesia de José Agostinho Baptista é de certo modo um lamento, como dissemos, e por vezes extremamente pungente e por isso não podemos deixar de ter em conta o negativo que trespassa estes poemas delicadíssimos que são da melhor poesia que hoje se escreve em Portugal."
 
                                          
                                                        .João Brito Sousa 
 
 
publicado por SOUSINHA às 13:46
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