Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

MONTE CHARIFF

 

     (Casa da Ti  LUÍSA APOLO. Por aqui vai dar ao palheiro onde morreu o Primitivo Amaro).

Sempre ouvi chamar àquela zona ali nos BRACIAIS, que fica por detrás da horta dos Carregas, como o Monte Charif.. As pessoas dali da zona diziam, vou ao Monte Charif e isso era um dado adquirido e não se pensava mais no assunto.
 
No Monte, moravam lá muitas pessoas, gente que vinha de fora e que trabalhava no campo por conta de outrem e que, além disso, tinham também terras arrendadas a outros proprietários ao mesmo tempo. Naquele tempo era assim. Havia os trabalhadores rurais que trabalhavam com paga ao dia, isto é, o fim de semana não era pago, recebiam à sexta feira os cinco dias de trabalho. Começavam cedo e o trabalho muitas vezes acabava quando acabava.... Nos anos cinquenta do século passado a jorna era de vinte escudos por dia e a luta para passar a auferir os vinte e cinco escudos diários foi renhida.
 
Além do pouco ganho havia a insegurança da continuidade do trabalho   e raro era o agricultor empregador que tinha trabalhadores aturados, ou seja efectivos. Era preciso ser muito bom trabalhador, ser habilidoso para manejar a enxada e ter gosto no trabalho que se fazia. Mas estes trabalhadores era gente vaidosa no serviço que desenvolviam e aquele trabalho tem que se lhe diga, por exemplo, semear cenouras ou armar a terra para esta semeadura ou lançar a semente do trigo à terra, exige um certo saber nas doses que se enviam à semeadura e é preciso controlar a direcção, semear de parelho, como eles dizem. Quase todos eram os trabalhadores eram bons, num desempenho que vinha de pais para filhos onde se aprendia vendo e observando; era um trabalho empírico.
 
O Domingos Simão, os Alcantarilhas, Pai e Filho que matavam o porco nas casas dos lavradores e os Lobacotas, irmãos e filhos, eram trabalhadores de boa cepa. O Domingos trabalhava avulso, umas semanas com uns outras com outros, até que mais tarde trabalhou nas noras com o Eusébio Ilhéu do Passo Branco e o Zé da Cova do Moinho. Esse trabalho das noras era um bocado arriscado, porque depois do almoço o trabalho era efectuado dentro das noras com água pela cintura e corre-se o risco de a digestão parar.
 
Os outros habitantes do Monte trabalhavam em terrenos seus ou arrendados e aí exerciam os seus trabalhos de semeadura . Era o caso do Zé Conquilha e do Joaquim Lobacota. Havia ainda a Ti Balfunda que curava doenças, torçolhos nomeadamente, com umas rezas e cozeduras, o Ti Manel Simão e mulher, pais do Domingos, do Manel que emigrou para a Austrália e do Zé Simão que era carpinteiro. E havia o Ti Zé Lúcio. E a Tia Luísa Apolo, proprietária.
 
Os proprietários que mais empregava eram as hortas do Afonso e o Zé Canadas.  
 
Irei ao Monte brevemente. E convido-os a todos.
 
Vamos lá....
 
João Brito Sousa..
publicado por SOUSINHA às 14:47
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