Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

PONTES DE MARCHIL- ANOS 50 e 60

CRÓNICAS DE WASHINGTON ( I )
por Carlos DIogo

 

Nasci neste lugar no longínquo ano de 1947, numa casa em frente do actual Hotel Ibis.
Esse terreno era uma boa horta, mas uns anos depois a agua da nora ficou "salobra" e o seu proprietário teve que desistir da agricultura.
         Chegou a ser campo de futebol do Clube Atletico Pontense e ate uma certa altura era o lugar onde se realizava a festa anual, com o tradicional Combate dos Mouros e o fogo de artificio lancado pelo Joaquim Lavajão, filho da Ti Batista.
Quase todos os dias recordo, com saudade, o lugar e as pessoas que me marcaram.
          Sempre gostei de ouvir os mais velhos, de modo que e a alguns deles que me vou referir hoje.
          Nas Pontes, naquele tempo, haviam sete homens a quem se chamava sempre Senhor.
          Eram o Senhor Manuel Pires (Marinhas), agricultor da horta onde esta hoje a Volvo, o Senhor Viegas, policia reformado, genro do Ti António Fernandes, o Senhor Carlos Passarinho, meirinho no tribunal, o Senhor Baptista, motorista do Abel Pereira da Fonseca, que levou a vida conduzindo do Luso a Faro (com a respectiva agua), o Senhor F.... (que diziam ser informante da Pide), o Senhor Joaquim Sopa (corcunda, mas homem com uma sabedoria e cultura enorme) e por ultimo o Senhor Viriato, por sinal, meu avo materno.
          Para começar, ou falar do Senhor Manuel Pires.
          Emigrou do Rio Seco para as Pontes na década de trinta ou quarenta.
          Homem puro, honesto, trabalhador, amigo do seu amigo.
   
       Para dar um exemplo, quando os negociantes lhe iam comprar batatas, repolhos, cenouras ou outros produtos que produzia, quando lhe queriam pagar ele dizia:
          Vende isso primeiro, quando receberes logo me pagas e se o preço baixar a gente entende-se.
Haverá hoje gente desta?
          O senhor Joaquim Sopa era director do Clube e vivia de arrendar as terras do pai.
          Como disse, era um homem com sabedoria.
          Aos domingos à tarde ia sempre visitar a já referida Lozinha, ou a Herminia, ou a Rita, ou a Jardineira.(as Maria Mchadão de Faro desse tempo)
          Um domingo, ia ele a passar em frente da casa do Senhor Viriato (a pé) e o Patrocínio Guerreiro gritou-lhe:
          Oh Jaquim, não me levas as costas?
          O Senhor Joaquim Sopa parou, olhou-o e respondeu:
          As costas, não, mas de arreata levo-te.
 
Carlos Caetano Diogo
publicado por SOUSINHA às 21:33
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