Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

PARA REFLEXÃO

 

        O FUTURO NÃO É

                   GARANTIA DE COMPETÊNCIA ...

 

 

 

Este texto é de autoria de Milan Kundera, in "A Arte do Romance".

 

Creio apenas saber que o romance não pode já viver em paz com o espírito do nosso tempo: se quer ainda continuar a descobrir o que não está descoberto, se quer ainda «progredir» enquanto romance, só pode fazê-lo contra o progresso do mundo.


A vanguarda viu as coisas diferentemente: estava possuída pela ambição de estar em harmonia com o futuro. Os artistas de vanguarda criaram obras, corajosas é verdade, difíceis, provocatórias, apupadas, mas criaram-nas com a certeza de que o «espírito do tempo» estava com eles e que, amanhã, lhes daria razão.
Outrora, também eu considerei o futuro como único juiz competente das nossas obras e dos nossos actos. Foi mais tarde que compreendi que o flirt com o futuro é o pior dos conformismos, a cobarde lisonja do mais forte. Porque o futuro é sempre mais forte que o presente. É ele, de facto, que nos julgará. E certamente sem qualquer competência.

 

 BIOGRAFIA.

 

Milan Kundera (1 de abril de 1929, em Brno, Tchecoslováquia) é um autor tcheco.

Obra

Em seu primeiro romance, "A Brincadeira", Kundera nos oferece quase uma sátira da natureza do totalitarismo do período comunista. Por força de suas críticas aos soviéticos e a invasão de seu país em 1968, Kundera foi adicionado à lista negra do partido e suas obras foram proibidas imediatamente após a invasão soviética. Em 1975, Kundera mudou-se para a França.

Na França, Kundera escreveu O Livro do Riso e do Esquecimento no ano de 1979. Constituindo-se de uma inusitada mistura de romance, contos curtos e ensaios do próprio autor, o livro ditou o tom de suas obras pós-exílio.

No ano de 1984, Kundera escreveu A Insustentável Leveza do Ser, seu trabalho mais popular. O livro é como uma grande crónica acerca da frágil natureza do destino, do amor e da liberdade humana. Mostra como uma vida é sempre um rascunho de si mesma, como nunca é vivida por inteiro e como é impossível de repetir-se.

Em 1990 Kundera escreve A Imortalidade. O romance é o mais "cosmopolita" até então, sem situar o enredo dentro do universo social e político da República Tcheca como fizera até então. Possui um conteúdo explicitamente filosófico e pode-se dizer que é o início de uma segunda fase da obra do autor.

Kundera reafirma publicamente que deseja ser entendido como um romancista em termos gerais, não um escritor político. É notório que o conteúdo político foi, a partir de A Imortalidade, substituído pela temática filosófica. O estilo de Kundera, entrelaçando digressões e ensaios filosóficos é grandemente inspirado em Robert Musil, Henry Fielding e na prosa do filósofo Friedrich Nietzsche.

 

MEU COMENTÁRIO:

 

Um escritor, na opinião do nosso Vergílio Ferreira, será aquele que nos faça tornar melhor ser humano depois de o lermos. Um bom escritor, na opinião de Vergílio, não é aquele que nos traz mais conhecimento mas sim aquele  que nos dá maior capacidade   para percebermos os outros, que, ao fim e  ao cabo,  é a finalidade  da nossa estadia aqui.

 

Para Baptista-Bastos o grande escritor é aquele  que vê para além da porta.

 

Estou mais com Vergílio Ferreira.

 

Quanto a Kundera, que creio já ganhou o estatuto de grande escritor, quer colocar em litígio, o romance e o espírito do nosso tempo, o que eu aliás concordo, porque só com esta agressividade, quer o romance quer o espírito do nosso tempo, poderão evoluir. .

 

Para haver progresso não poderá haver harmonia. O progresso precisa de  briga para ser progresso.

 

É verdade que é o futuro o único juiz competente para julgar um autor. Mas numa coisa não estou de acordo com Kundera, quando ele diz: ... “o futuro é sempre mais forte que o presente. É ele, de facto, que nos julgará. E certamente sem qualquer competência...”

 

Em minha opinião o julgamento será competente, porque o futuro começa já. . Porque não há presente; o homem vive no futuro. 

 

João Brito Sousa

publicado por SOUSINHA às 06:51
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4 comentários:
De avlisi@sapo.pt a 11 de Maio de 2007 às 15:23
"Não há presente; o Homem vive no futuro".

Quando eu era estudante e tinha que me deslocar de Tavira para Faro no comboio das 6:42, recalcitrava e protestava todas as manhãs - entenda-se madrugadas -, pela hora intempestiva a que era forçado a acordar e a sair da cama. Entáo, o meu avô, que já ia com o dia de trabalho em estado adiantado, sempre me fazia sentir que é de manhã que o raciocínio é mais claro e que as ideias fluiem com melhor solidez.
Como os velhos daqueles tempos sabiam das coisas da vida!
Veja-se - e pasme-se! - como o meu amigo Brito, às 6:51 da madrugada já tem publicações no seu Blog e com a profundidade e a força filosófica que se encerra na expressão em título!!!

Não há presente! Que verdade! Que realidade!
De facto, a marcha inexorável do tempo, por um lado, e o propósito da actividade do Homem, por outro, estão aí, em cada momento e em cada acto de vida do Homem, para o provar.
O Homem vive no futuro!
É evidente que ao se terminar de fazer o que quer que seja, essa obra já é pertença do passado, estando o Homem no futuro, face a ela. É sempre no futuro que o Homem se encontra; o presente é demasiado efémero para ficar presente. Consentâneo!
Por outro lado, o Homem vive no futuro porque, tudo o que faz ou o que se propõe fazer, visa a utilização futura, projectando-se no tempo vindouro as consequências do acto presente. Metafísica!

Parabéns, meu caro Brito!
Pela disponibilidade a horas em que ainda me encontro no segundo sono!
Pela lucidez e criatividade intelectual demonstradas !
Pela capacidade de trabalho, bem patenteada na pesquisa que é evidente estar na espalda dos temas aqui trazidos.

Aquele abraço do
arnaldo silva
felizmente reformado
De SOUSINHA a 11 de Maio de 2007 às 22:04
VIVA.

Obrigado pelas tuas palavras e também pela visita.
Um grande abraço.
BS
De Manel Piorna a 13 de Maio de 2007 às 00:05
João, desculpa lá!...Mas que grande trancada!
Não é verdade. O futuro não existe. Olha à tua volta e vê. O que interessa é viver hoje, o resto que se forn.... Voltamos ao Velho do Restelo? O ser humano está-se borrifando para o hamanhã. O que interessa é hoje. Vê o Iraque, os EU sempre olharam para lá como presente. Se tivessem pensado no futuro! Com as borradas que fizeram que fizeram pergunto: Quem deveria estar a ser julgado em Haia? Que futuro se constrói, truncando um texto com a simples troca de uma (?) por uma (!).
Um abraço, Manel Piorna
De SOUSINHA a 13 de Maio de 2007 às 09:14
MEU CARO MANEL.

Viva.
Gostei da tua passagem por aqui.
E faço uma referência ao teu comentário no artigo que escrevi para hoje, o PORQUE HOJE É DOMINGO.
Havemso de voltar ao assunto.
Aparece sempre.
Um abraço do
João

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