Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

CENAS DO SACRAMENTO À LAPA.

A ÚNICA VEZ QUE O ARNALDO SILVA ME DECEPCIONOU.....
 
 
 
 
Esávamos lá hospedados e passámos lá bons tempos ... e alguns maus também. Mas no cômputo geral foram muito bons. No dia do terramoto estávamos lá eu e o Arnaldo Silva, colegas de curso e de quarto, no dia das cheias estava lá com o Diogo e nos tempos de jogar à lerpa estava lá com o António Viegas, que era o chefe da banda. E da banca também.
Tínhamos vinte e tantos anos, uns trabalhavam e outros trabalhavam e estudavam, eu, por exemplo, que era funcionário dos TAP.
O dono da casa era o Dr. Pitrónio, um activista político foragido da PIDE , que andava por fora aí uns dias e voltava a casa outros, poucos, é verdade mas conversava muito connosco.
Juntávamos com a malta de Económicas lá na cantina deles, outras vezes na Tasca do Gordo. Íamos ver o Joaquim Agostinho correr na Volta à França no Jardim da Estrela e discutíamos com o Feliciano do Industrial. Íamos à tourada a Vila Franca com o Diogo, jogávamos matraquilhos com o Zé Martins da Patã na Estrela, quando ele veio de Cuba, íamos às aulas, trabalhávamos e à noite jogávamos à lerpa.
Este jogo, que jogávamos muito, era a dinheiro e às vezes a banca era boa. Uma vez estavam a jogar uns cinco ou seis, entre eles o Viegas, o Arnaldo Silva e outros. Ora, a lerpa é um jogo de bluf, quer dizer, eu posso não ter  cartas capazes para ganhar, mas posso arrisca e ir a jogo, dizendo eu vou, ou dando uma pancada na mesa.
Nessa noite, lembro-me bem, estavam 520 escudos na mesa. O Viegas dá as cartas e é o primeiro a pronunciar-se. Não olha sequer para as cartas e diz, eu vou a jogo, aumenta o “suspense”, não só porque o dinheiro é muito como também porque o António Viegas, naquele tempo tinha mais dinheiro que nós todos e ia sempre a jogo e nós  nuncao sabíamos quando o António tinha cartas capazes ou não.. . segue-se o Arnaldo Silva que tem de pronunciar-se, sobre se vai a jogo..., analisa as cartas e as possibilidades de fazer ao menos uma vasa, pensa... pensa... olha para as cartas... tem o sete de trunfos na mão, está seco, não tem mais nada, eu estou de pé nas costas dele.. e a decepção chegou: não vou a jogo, disse o Silva. 
Foi a única vez que o Silva me decepcionou....
 
João Brito Sousa.
publicado por SOUSINHA às 21:32
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4 comentários:
De arnaldo silva a 18 de Maio de 2007 às 23:54
Você é um cabra do catano!
Hoje vais ficar com um peso nessa consciência, peso que não aliviarás tão cedo por mais que estrebuches!
Não vale! São emoções em demasia para um coração cansado de sessenta e quatro anos de batidas consecutivas! E se, e quando, ele fracassar pelo excesso de emotividade tu vais ficar a remoer o remorso para o resto da tua vida!!
Primeiro vieram notícias dessa inesquecível camarada, colega e amiga, que eu já não vejo há mais de uma década; agora trazes "à baila" os tempos da Sacramento â Lapa!!!
É demais!
Foram tempos que o tempo não consegue dissipar nem remover do arquivo das minhas memórias!
Vividos no regresso da guerra de Angola, na expectativa de terminar um curso que garantisse um futuro sorridente, pendente de um namoro a culminar em casamento e, tão importante quanto o resto, partilhava um quarto na companhia de uns marafados algarvios que, já sendo amigos, cimentaram aí uma amizade indestrutível.
E que alegria de viver se respirava na Sacramento â Lapa! E que camaradagem!
E como eram boas as tangerinas do Viegas!
Como já referi, recordar Sacramento â Lapa e todo o seu envolvimento, é dose!! Das fortes!
O episódio que referes, no jogo da lerpa, não o tenho bem presente mas é característico da minha forma de jogar. Principalmente se na mesa está um cabra como o Viegas, cuja sorte ao jogo não tem paralelo no comum dos mortais.

Obrigado, amigo!
É bom ter amigos. Dos bons! Dos que se decepcionam com as atitudes dos seus amigos; mas que o sabem fazer sentir!

Aquele abraço do
arnaldo silva
felizmente reformado

De SOUSINHA a 20 de Maio de 2007 às 09:04
VIVA,

MEU CARO SILVA,

BELO TEXTO O QUE ESCREVESTE SOBRE A NOSSA JUVENTUDE.
AÍ VAI UM ABRAÇO.
BS
De Maria Celina Pereira Nunes Inácio a 21 de Maio de 2007 às 16:38
Caro Brito:

Não resisti e tive que aprender a introduzir um comentário num blog. Estreia absoluta para mim!
Parabéns meu amigo. Gosto mesmo deste sitio. Do que escolhes, do que escreves, de te ler.Um homem com a vida votada aos números, quem diria!? Que belo hobby. Exercita a mente, a escrita e comunica com amigos.Quando eu for "felizmente reformada "quero fazer isto. Só me falta a inspiração e o talento, claro.
E como tenho gostado de ler o nosso amigo Arnaldo! Que boa cabeça, brilhante como sempre e tão altamente positivo. Ele que em tempos idos só tinha a História estudada para o Dr. Furtado "lá para as partes traseiras..." (tu não te lembras porque não eras dessa turma), e agora está tão à frente. Obrigada meu amigo por teres ficado feliz de saber de mim.
Continuem meus queridos neste bate-papo saudável.Eu vou-vos lendo quando posso já que ainda estou "felizmente a trabalhar".É verdade o post do vosso tempo de Sacramento à Lapa trouxe-me à memória um velho casaco de antílope, já bastante usado mas muito bonito que era de um de vocês mas que, muito democraticamente, vestiam todos. Eu achava o máximo a vossa cumplicidade.
Um abração da
Celina
De SOUSINHA a 21 de Maio de 2007 às 19:27
ALÓ CELINA.

PORTO, 2007.05.21

EU NUNCA SONHEI...

Se me dissessem que viria a ouvir
Palavras como estas que aqui me dirigem
Talvez que eu nesse dia começasse a sentir
Que não estaria bom; seria tudo miragem!...

Ora... fazendo eu da escrita e dos poemas
Apenas uma forma de conseguir ser feliz.
Se tornar as manhãs e as tardes mais amenas
Dou à minha sensibilidade tudo o que quis!

Foi esse o rumo que tracei para viver
Porque gosto de fazer versos e escrever
Sobre o melhor daquilo que estudei....

E gosto de fazer versos ...especialmente .
Que reforcem a grande amizade entre a gente
Mas ouvir palavras destas nunca sonhei!...

João Brito Sousa

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