Terça-feira, 15 de Maio de 2007

À GUERRA... DISSE NÃO

 
 
Numa visita ao ACGORJEIOS, vi-me deparado com uma crónica de guerra. É um texto com algumas passagens que discordo e que vou assinalar:  
Assim:
“ Hoje o Alferes pode orgulhar-se de ter sido o primeiro a passar as portas da guerra, com feridos...”.

O orgulho perante uma situação de guerra não é muito normal, porquanto a atitude guerreira não colhe no sentido humano da vida A guerra é e será sempre um disparate e não pode gerar qualquer motivo de orgulho.
Os truques e as trapalhadas de antecipação, que na vida militar se alcunha de táctica “surpresa”, marchar primeiro e chegar ao terreno de operações antes que o inimigo soubesse da sua aparição no local da contenda, são possibilidades de lutas desiguais e carece de sentido de justiça e são desumanidades, como se expressa na frase seguinte:- “sobretudo estar sempre pronto a carregar sobre o inimigo”. Ou ainda em “obter os louros da conquista....” ou “que os regressados ilesos se sentem heróis vivos resgatados da companhia dos heróis feridos e mortos em combate, pela conduta, coragem e moral impostos, desde a primeira hora pelo comando do Esquadrão...”
Os louros da conquista não trazem consigo a honradez necessária que justifique uma atitude. Heróis vivos nunca poderão ser um produto da guerra, porque na guerra só temos feridos e mortos em combate e mais nada
Será interessante reter algumas notas que Raul Brandão deixou nas suas memórias sobre a tropa. Ei- las: - «Na Escola do Exército ensinavam, no meu tempo, coisas inúteis que me deram mais trabalho a esquecer que a aprender. Durante o tempo que fui tropa vivi sempre enrascado, como se diz em calão militar. Tudo me metia medo, os homens aos berros que ecoavam no quartel (era o Cibrão na secretaria); castigo para um lado, castigo para o outro; e as coisas negras, feias, agressivas, a parada, a caserna, as retretes. Levo para a cova a imagem daquelas retretes como uma das coisas mais infames que conheci na vida. O Inferno deve ser uma retrete de soldado em ponto maior...»
A guerra não é um produto da minha paixão. Sou contra. Sou mais pela solidariedade.
 
João Brito Sousa
 
 
 
 
 
publicado por SOUSINHA às 16:37
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8 comentários:
De Anónimo a 16 de Maio de 2007 às 12:14
JOÃO,
"A guerra não é um produto da minha paixão. sou contra.Sou mais pela solidariedade".

Dito assim sem mais nem menos faz lembrar imediatamente aquela célebre resposta que as pessoas davam no tempo da ditadura: " Não sei nem quero saber nada de política.Não sou político. A minha política é o trabalho"
Só que a política existe desde que existe o homem e a guerra é o ultimo recurso da acção política e ambas se confundem com a história da humanidade.O que é a história de cada país, e aquilo que são hoje, senão a história das lutas entre povos através da guerra?
És pela solidariedade. Penso que sejas solidário com os portugueses.Se não fosse os quarenta anos de guerra que D.Afonso travou com a Mãe, Castela e Mouros, provavelmente, hoje serias solidário com os espanhóis ou com os muçulmanos.Certamente és solidário e insurges-te contra os despedimentos numa fábrica que fecha e vai para a Roménia. Mas esqueces-te de ser solidário com outros tantos trabalhadores romenos que vão ter emprego e pão e até são mais pobres e necessitados.
Por princípio todos somos contra a guerra e pela solidariedade.Proclamar princípios piedosos faz-nos andar de bem com a nossa consciência.Solidariedade, esperança, pacifista, objector de consciência, piedade, misericórdia, etc. etc., são conceitos chavões criados pelo cristianismo, já dominante, para justificar a submissão dos desgraçados aos poderosos.
Alguem proclama mais a solidariedade e o pacifismo do que as religiões? No entanto veja-se a história das religiões e quanto ela se confunde com a história das guerras entre povos de religiões diferentes.
Através do nosso racionalismo tentamos tapar com diversas máscaras moralistas o lado bárbaro do homem bicho da natureza.Mas em vão, logo que nos arrombam a porta o bicho-homem solta-se e salta.
Um abraço do Adolfo.
De SOUSINHA a 16 de Maio de 2007 às 12:41
VIVA.

CARO ADOLFO.

GOSTEI DO TEU TEXTO MAS MANTENHO A MINHA POSTURA DE SER SOLIDÁRIO. PALAVRA CHAVÃO, SIM, MAS POR ÚNICA RAZÃO, A DE NÃO SER POSTA EM PRÁTICA.
MAS EU ESTOU DISPONÍVEL PARA A PRÁTICA DESSA TAL SOLIDARIEDADE, PORQUE NÃO VEJO OUTRO CAMINHO PARA SALVAR ESTA COISA...

ACEITA UM ABRAÇO DO
JOÃO.
De Anónimo a 16 de Maio de 2007 às 13:17
JOÃO,
E QUE RAIO DE COISA É ESSA QUE PRECISA DE SALVAÇÃO?
E ESSA COISA INDICOU-TE O CAMINHO E PASSOU-TE PROCURAÇÃO PARA A SALVARES?.
A SALVAÇÃO PRESSUPÕE UM SALVADOR. CUIDADO, ANDAM POR AÍ MUITOS À ESPREITA.
Um abraço do Adolfo.
De SOUSINHA a 16 de Maio de 2007 às 14:50
Meu caro Adolfo,

Viva,
A salvação foi força de expressão, apenas.
Um abraço do
JOÃO

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